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Maio Roxo: a importância da conscientização das doenças inflamatórias intestinais
 
Maio Roxo: a importância da conscientização das doenças inflamatórias intestinais.

Ampliação de número de diagnósticos pode estar relacionado a acesso a informação tanto aos pacientes quanto aos médicos não especialistas. Doenças podem ampliar risco de câncer de intestino.

A Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) juntamente com clínicas e outras entidades e centros de estudos que se dedicam às doenças do aparelho digestivo, amplia a discussão e apoia o Maio Roxo, período de conscientização das doenças inflamatórias intestinais (DIIs).

A Retocolite Ulcerativa (RCU) e a Doença de Crohn (DC) são umas dessas enfermidades e podem ter manifestações extra intestinais em 30% dos portadores, como problemas oculares, articulares, de pele, aftas orais, de vias biliares e fígado. Pacientes diagnosticados com DII têm maior risco de câncer colorretal e após oito ou 10 anos do diagnóstico, é recomendada a realização periódica de colonoscopia.

As DIIs são geralmente diagnosticadas a partir dos 30 anos e em ambos os sexos. Estes pacientes podem ter limitações temporárias ou definitivas de suas rotinas de trabalho, bem como de convivência social e familiar. Conforme o caso, o paciente pode sofrer abalos de imagem, com dificuldades para ganho de peso, aparecimento de fístulas, interferindo inclusive na vida sexual.

As DIIs não têm cura e a origem não está completamente esclarecida. Fatores genéticos e ambientais como a modificação das bactérias luminais e o aumento da permeabilidade intestinal, podem justificar a má regulação da imunidade do intestino. A Retocolite e a Doença de Crohn são mais comuns em países desenvolvidos. Essa situação tem se alterado e o diagnóstico aumentado em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. O motivo é a "hipótese da higiene": pessoas menos expostas a infecções na infância ou condições anti-higiênicas, perdem microrganismos potencialmente "amigáveis" ou organismos que promovem o desenvolvimento das células T regulatórias, ou não desenvolvem um repertório imune suficiente porque não tiveram contato com organismos agressivos. Outras hipóteses incluem mudanças para uma dieta e estilo de vida ocidentais, incluindo medicamentos e vacinas.

O diagnóstico precoce e o tratamento podem permitir o controle das DIIs. Os medicamentos contribuem para proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes. Em muitos casos, o diagnóstico das DII é retardado pelo desconhecimento de suas principais manifestações clínicas. Exames complementares auxiliam o médico no diagnóstico e cada paciente será orientado de acordo com o seu quadro clínico, não estando descartada a cirurgia. O paciente precisa estar atento aos sinais. Assim que observar algo de errado, deve procurar o médico para ter o diagnóstico e iniciar o tratamento o quanto antes.

Doença de Crohn

A doença de Crohn pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (da boca ao ânus), sendo mais comum no final do intestino delgado e do grosso. Entre os sintomas principais estão diarreia, sangue nas fezes, anemia, dor no abdome, perda de peso. Mais raramente há estomatites (inflamações na boca). Também pode atingir pele, articulações, olhos, fígado e vasos. A doença mescla crises agudas recorrentes, leves a graves, e períodos de ausência de sintomas.

O diagnóstico é feito por meio da colonoscopia com biópsia. Outros exames como radiografia do abdome, exame contrastado do intestino delgado, tomografia computadorizada, ressonância magnética, cápsula endoscópica, enteroscopia e exames laboratoriais, na dependência dos sintomas, auxiliam na identificação das alterações típicas.

É relativamente comum a necessidade de cirurgias, como retirada de segmentos do intestino por oclusão, sangramento ou perfuração, especialmente o delgado, e tratamento de lesões anais como abscessos e fístulas, contribuindo, em muito, para o controle dos sintomas e das possíveis complicações. Também não é rara a confecção de estomas, que são aberturas do intestino na pele do abdome para permitir a saída de fezes, sem passar pela região afetada.

Retocolite ulcerativa

A retocolite ulcerativa inespecífica caracteriza-se por inflamação da mucosa do intestino grosso, apresentando diarreia crônica com sangue e anemia. O reto quase sempre está afetado, sendo às vezes o único segmento. Não há lesões no intestino delgado, o que constitui característica da doença, muitas vezes sendo o fator primordial para diferenciá-la da doença de Crohn. A inflamação pode vir a se tornar muito grave, com hemorragias maciças e perfuração intestinal, necessitando de cirurgias de urgência. O diagnóstico é feito principalmente pela colonoscopia com biópsias.

O tratamento inclui medicamentos para controle da inflamação como corticóides, imunossupressores e até terapia biológica. Quando a doença não consegue ser controlada por meio de tratamento clínico ou apresenta determinadas complicações agudas ou crônicas, especialmente neoplasia, mesmo muito precoce, opta-se pela cirurgia.

Fonte

Dra. Juliana Stradiotto Steckert - possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina . Pós-graduação em Cirurgia Geral pelo Hospital Governador Celso Ramos .Pós-graduação em Coloproctologia pelo Hospital Universitário Cajuru- PUC/PR . Médica Reguladora da Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia . Membro ECCO: European Cronh's and Colitis Organisation. Membro efetivo do GEDIIB : Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal no Brasil. médica coloproctologista do corpo clínico do Gastro Medical Center.

Mais em www.nutricaoempauta.com.br.

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