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Alérgicos, atenção redobrada com as ceias natalinas
 
Nessa época do ano, há um aumento expressivo de casos de alergias alimentares

É importante não confundir alergia com intolerância, já que os agentes causadores e os sintomas podem ser distintos.

A ceia natalina, que representa uma união marcante em muitos lares, poderá se transformar em um verdadeiro pesadelo para quem sofre com as incômodas alergias. Segundo a Organização Mundial de Alergia (WAO), entre 200 a 250 milhões de pessoas sofrem de alergia alimentar. Dentre os alimentos que possuem um grande potencial alergênico estão listados o leite, cacau, amendoim, camarão, frutos do mar e ovos como importantes indutores de hipersensibilidade.

E as mesas de Natal, na maioria das vezes, são repletas de muitas comidas compostas dessas substâncias. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 35% da população mundial já apresenta algum tipo de alergia, percentual que deverá estar muito atento a essas delícias natalinas para não transformar a festa familiar em um problema de saúde.

O leite de vaca, presente em diversos pratos das celebrações de final de ano como no caso da rabanada, é o maior causador dos quadros de alergia alimentar. A caseína, proteína do leite bovino, é a responsável pelo problema. O sistema imunológico identifica a substância como estranha ao organismo, o que resulta em uma hipersensibilidade imunológica. A reação dá origem a variados sintomas gastrointestinais e respiratórios.

Não é só a alergia alimentar que pode se manifestar pela ingestão do leite bovino. A intolerância alimentar, que já afeta mais de 100 milhões de brasileiros, é outro processo desencadeado pelo alimento., o leite de vaca, ao lado dos grãos e do café, é o campeão da doença. A intolerância é provocada pela lactose. Pessoas intolerantes à lactose não possuem a lactase, enzima capaz de digerir a substância. É importante não confundir alergia com intolerância, já que os agentes causadores e os sintomas podem ser distintos.

O ovo, outro alimento que tem presença garantida nas ceias como nos bolos, nos fios de ovos e no bacalhau à portuguesa, é outro vilão dos pacientes com alergia. Ele possui ovalbumina e ovomucoide, duas proteínas presentes na clara e que frequentemente geram reações adversas. Alergistas recomendam a seus pacientes que não comam nenhuma parte do alimento, já que há um contato direto entre a gema e a clara.

As castanhas, nozes e amêndoas também têm presença garantida no Natal. Ricos em proteína, esses frutos são outros grandes causadores dos sintomas alérgicos, que poderão ser desde uma diarreia ou cólicas abdominais, até reações respiratórias como rinite ou sinusite. Repercussões dermatológicas também poderão surgir como resultado de uma alergia alimentar. Eczemas de pele e urticárias são muito comuns durante processos alérgicos.

Muito consumidos no Natal, os vinhos branco e tinto, assim como as cervejas, são outros que não são nada bem-vindos pelos alérgicos. O processo de fermentação, parte importante na produção dessas bebidas alcoólicas, dá origem a grandes volumes de leveduras e bactérias, facilitando a fabricação de histamina pelo organismo. A histamina, por sua vez, é um composto orgânico produzido pelo sistema imunológico que funciona como um mediador inflamatório e é responsável pelos mais variados tipos de processos alérgicos.

Assim como no caso do suco de uva, essas bebidas apresentam ainda altas concentrações de sulfitos, um grupo de compostos conhecido por causar inúmeros sintomas de reações colaterais como espirros, coriza e tosse. Presentes ainda em azeitonas, vegetais em conserva e frutos do mar como lulas e polvos, os sulfitos, também podem causar reações cutâneas ou diarreia em pessoas com o suco gástrico pouco ácido.

Os frutos do mar, crustáceos e moluscos são a principal causa de alergia alimentar entre os adultos, mas o camarão é o maior causador de reação alérgica grave (choque anafilático) entre os brasileiros. Existem pacientes que sequer podem estar no mesmo ambiente onde é servido um prato contendo o alimento, já que o camarão pode liberar no ar proteínas voláteis altamente irritantes e perigosas aos alérgicos.

Fonte
Dra. Patrícia Schlinkert, - Médica e uma das idealizadoras do projeto social Brasil Sem Alergia
Dr. Marcello Bossois – Médico alergista,  coordenador técnico do Brasil Sem Alergia

Brasil Sem Alergia - projeto social que oferece diversos procedimentos de prevenção, combate e controle de processos alérgicos e de doenças ligadas ao sistema imunológico.. Coordenado pelo médico Marcello Bossois, o projeto está à disposição de toda a população do Rio de Janeiro
 
 
 
 
 

 
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